Fábula de um Patinho nada Feio
Era uma vez....
Um Patinho que se considerava Feio.
Esse Patinho era visto como “aquele que toma atitudes sem atrevimentos.”
Porém apesar de tudo, e de achar o seu exterior “Feio”, sabia quais eram suas qualidades e às consideravam.
Um belo dia, digo “belo” porque o sol O iluminou diferente, ele teve a coragem mais arrebatadora dos últimos tempos; e toda vizinhança ficou assustada. Patos, garças, gansos, cisnes... Enfim, todas as aves que se encontravam por perto, ficaram surpresas.
Só que sua atitude foi tão perturbadora que chamou a atenção de uma pequenina e atrapalhada “Cisne”. Mas isso não vem ao caso, no momento. Vejamos o porquê todos à sua volta ficava intrigado com sua pessoa. Alguns poderiam chegar a comentar coisas ruins a seu respeito, outros poderiam não dar importância à sua aparência... Porém, esse Patinho considerado “Feio” por ele mesmo, é e talvez também por outrem, possuía algo que a “tal” possível “Cisne” o tinha diferenciado dos(as) outros(as) patos e aves.
Acredita-se que não só ela, mas no fundo no fundo, várias outras aves já sabiam que ele era “belo”, e “quem sabe” diziam que ele era “Feio” por O invejarem?É...
Quem sabe?!?
E com essa atitude reveladora e quase que insistente, porém altamente SURPREENDENTE, foi descoberto por ela (Cisne) algo “sutil, delicado e penetrante – sentimento chamado Afinidade.” Ele tem defeitos como qualquer “ave” natural, mas possuía qualidades incríveis. Algumas delas vou tentar detalhar, outras eu não sei ainda; estou aos poucos tentando perceber e conhecê-las.
Vejamos agora o que a pequenina observadora e intuitiva Cisne descobriu. Mesmo com o pouco de convívio com esse Patinho, a Cisne teve a oportunidade de perceber que ambos tinham AFINIDADE. Antes de falar sobre essa afinidade de ambos, preciso falar um pouco de suas qualidades: como o seu caráter, maturidade, inteligência, compatibilidade e ser uma das melhores aves que a Cisne já conheceu.
E o que significa ter ou ser AFINIDADE?
A “Cisne” muito cuidadosa examinou alguns registros antigos escritos por um autor bem amigo, chamado Artur da Távola, e ele expôs o seguinte: “Não importando o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades: quando há AFINIDADE, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que ele foi interrompido, ontem ou há 40 anos. É não haver tempo mediando a vida. É rara. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntos.” (Pausa)
A “Cisne” ouviu essas primeiras palavras e descobriu que tinha tudo a ver entre eles, e inconformada decidiu ir a fundo nessa estória; e de certa forma, mostrar ao Patinho que o conceito e comentários das outras aves para ele não fazia sentido, e que sabia que ele sabia que suas qualidades pessoais, o transformava no “Patinho nada Feio”; e o que ela queria não era saber o que falavam dele, mas queria ter a coragem de perguntar dele a ele mesmo.
Complicado?
Confuso?
Aparentemente,sim... mas continuemos.
Até poderia ele dizer que era Feio seu exterior (coisa que Tb não era; sério?!? Ele era o maior bambambam); Mas a Cisne precisava saber disso e não queria saber do “bico das outras aves”, e só poderia saber se ele próprio a dissesse o que ela queria saber dele, e aproximar-se.
Porém continuou a ler atentamente o que, Artur da Távola dizia: “O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro de sua boca diante de alguém com quem tem AFINIDADE. É ficar de longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem, ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar uma palavra. É receber o que vem do outro com uma aceitação anterior ao entendimento. É sentir com. Nem sentir “contra”, nem sentir “para”, nem sentir “pelo”. É sentimento singular, discreto. Não precisa nem do amor. Independe dele mesmo sendo sua filha. Pode existir a quilômetros de distância.É adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, até de respirar. É linguagem secreta do cérebro, ainda não estudado. È ter estragos semelhantes e iguais esperanças permanentes. É conversar no silêncio, tanto das possibilidades vividas . É retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo da separação. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a manutenção comum pudesse se dar. E para que cada pessoa possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado. Sensível é a AFINIDADE.” ...dê lugar ao novo...
Essa foi a frase que ficara na cabecinha atrapalhada da Cisne.
Depois dessas leituras e reflexões...
Ela (Cisne) ficou muito admirada com as palavras sábias que leu daquele seu amigo escritor, e as relacionou com o Patinho que agora parecia ser mais próximo a ela; Com isso a Cisne foi tomada por uma coragem que era até desconhecida a ela e, enfrentou o “olhar curioso e reprovador das outras aves”, os “seus princípios de fêmea”, e o “silêncio misteriosa-ausência” do Patinho (que como disse não é nada Feio), indo até ele e pedindo-o que se deixasse conhecer; e não importando quando isso fosse acontecer, mas que em algum dia, em algum lugar, ele lembrasse desse pedido, e assim permitisse dando a ela (Cisne) uma oportunidade.
O Patinho com algumas palavras declarou deixando escorregar por entre as linhas, isto: “tempo ao tempo! Preciso descobrir quem sou, o que preciso e o que realmente quero fazer!”
Mas a tal palavra : “dê lugar ao novo” não saía da sua cabeça de Pato.
E a “Cisne” percebendo tais qualidades do Patinho, respondeu: “Sei esperar...”
Mas lembra-te de uma coisa: “você é responsável por aquilo que cativas!” Pois, “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
O final desta Fábula não termina dizendo que eles foram felizes para sempre, mas conclui-se que o “Patinho” agora “nada feio, ou nunca feio”, ficou sem palavras para dar a tal “Cisne”; porém seja qual for o seu final, eles aprenderam a não desistir de nada. Nem dos seus sonhos, nem dos seus anseios, nem do conhecer pessoas e fincar relacionamentos sinceros... juntos foram em busca do melhor que com certeza ainda estava por vir.
THE END.
(By Monalisa Luna)

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